sexta-feira, 26 de julho de 2019

É uma necessidade incomoda, essa que a gente tem de ficar caçando uma resposta, ou justificar algo a alguém. Buscamos palavras e compreensão através delas, só para atingir o entendimento do outro. Mas, de fato, por quê? Pra quê? O silêncio é este mal todo que dizem? De onde tiramos que o silêncio é algo ruim ou desconfortável? 
Quando não tiver o que dizer, não diga. Respeite-se, não se force!
Apenas seja e esteja.
O silêncio não é o vazio, ele é o todo.

espelho, espelho meu...

Noto algo em mim que venho já adiando há um tempo para reconhecer: minha frequência afetiva está cada vez mais baixa. 
Eu amo meus amigos, familiares e alguns colegas de trabalho, juro! Mas não tenho necessidade de estar com as pessoas o tempo inteiro. Falo até mesmo de ser presente nos grupos do Whatsapp. Eu não preciso, e nem quero, um relacionamento high maintenance, só preciso que quem eu amo saiba que é amado e que a recíproca é verdadeira. Estarei ali se nos vemos todos os dias ou uma vez a cada seis meses.  E se precisarmos, temos um ao outro para apoiar.

Toda relação que me acaba cobrando minha presença ou qualquer tipo de atitude, me deixa exausto e prefiro me afastar. Isso acaba me fazendo mal, pois fico tentando lidar com a minha frequência afetiva e sem saber lidar com o peso da cobrança. Não querer estar presente significa que eu posso não ta no meu melhor momento ou que eu só queria ver você noutra ocasião, de um outro jeito, de uma outra forma. Não esqueci de você!


Não sei até quando será assim. Nem todo mundo entende, mas juro que vale a pena entender.

terça-feira, 9 de julho de 2019

As pontes de mim

Revi As Pontes de Madison outro dia e não lembrava o quanto bonito, sensível e melancólico ele era. Ainda mais pela atuação da Meryl, dona de uma maestria que nos deixa sentindo todo o mix de sentimentos, a vontade de ficar, a de ir embora. - não tem como não amar essa mulher - Sem falar do diálogo no último jantar que é de uma força arrebatadora, a quebra de expectativa e a autoconsciência apresentada nessa cena é de acabar com qualquer sonho. Francesca antecipa friamente todo o desgaste, decidindo mante-lo na memória. Em seguida, o choro na chuva dá um poder poético e casa perfeitamente com tudo. Mas é a cena do semáforo que acabou comigo e me fazendo chorar - é uma das cenas mais belas que o cinema já me proporcionou. - No mais, a trilha sonora é maravilhosa, a fotografia é bonita e o roteiro bem desenvolvido, vale muito a pena. Sem dúvidas um dos melhores do gênero. Percebi que o filme tinha mais de mim, do que dele mesmo. 

Cena que chorei (spoiler):


A hora que flertei com Sinead O'Connor

É sempre uma coisa complicada lidar com coisas que escondemos no nosso inconsciente, não que seja algo que fazemos por obrigação, mas adiamos enfrentar certas coisas que quando batem de frente nos tiram de um conforto absurdo, e por vezes, cansativo.
Desde ontem, por causa de conversas com pessoas intimas, percebi que meu flerte com a Sinead O'Connor estava indo além da vontade de me inspirar em seu cabelo, mas na solidão que ela traz na Nothing Compares 2 U. Eu me abandonei por um bom tempo e percebi minha passividade diante da vida através de não me impor.
Preciso me divertir sem essas amarras todas e sem toda essa limitação que acabei me dando por algum motivo que não lembro, mas sempre tentando evitar discussões que se levariam a algum lugar eu decidi não ir. Minha indisposição de lidar com o outro não é algo apenas no outro, mas é complicado também lidar comigo, apesar de eu me sentir bem melhor na minha própria companhia, reconheço que assim como qualquer pessoa tenho meus momentos insuportáveis. No fundo, mas bem lá no fundo mesmo, acabo poupando os outros de também lidarem comigo. É quase um ato de não existir, só que com a companhia de uma tristeza nada aparente.
Não sei onde tenho errado, mas certamente isso não é algo certo que fiz comigo. Se adaptar é algo essencial, mas não é apenas isso que deve ser feito. Deixar essas coisas para outros é cansativo para ambos, às vezes não é sobre flertar com a Sinead ou com a Britney em 2007, é só ser você, ali, com seus desejos e vontades para se dar e oferecer ao outro. Sabendo a melhor hora de ceder e de se impor.
Perceber tudo isso foi um tanto angustiante então eu chorei, chorei até ficar com dó de mim e ver que estou disposto a uma nova tentativa.
E de quebra ainda consegui entender o motivo de ter chorado tanto assistindo As Pontes de Madison.

Obrigado, Meryl!

Imagem relacionada

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Like a prayer

Como um bom fã da Madonna que sempre fui, é impossível assistir O Padre e a Moça (1965) e não relacionar com outra obra totalmente diferente como o Like A Prayer. Entre diálogos bem desenvolvidos - até porque é inspirado em um texto do Carlos Drummond - existe vida e morte, religião e repressão, amor e culpa. O filme é carregado de uma melancolia capaz de parecer um personagem próprio. O amor proibido que flerta com a complexidade dos sentimentos que vem com a busca do autoconhecimento e das descobertas de sensações e das culpas tornam todo o enredo com uma força inenarrável.

"Pra onde o senhor tá indo?
Isso não é caminho pra lugar nenhum.
Por que o senhor não responde?
O senhor tá fugindo!
Fugindo só, sem saber pra onde!
A gente pode ir pra qualquer lugar.
É só o senhor querer.
Ninguém conhece a gente.
Se o senhor quiser, a gente pode ir pra qualquer lugar.
A gente pode viver junto, como qualquer pessoa.
Qualquer lugar serve."


O nome veio de uma música da Liniker e os Caramelows, para que eu nunca esqueça de onde estou, apesar das minhas inconstantes faces e nomes que me dou ao longo das poucas experiências que tenho. Não tenho um motivo especifico para escrever o blog, a não ser poder olhar algum dia e perceber quem eu me tornei ao passar dos dias que estarei escrevendo para ele. Talvez eu escreva cartas, ou talvez textos sobre nada ou cinema. Minhas flores na cabeça devem servir para colocar algo para fora de mim, para que eu olhe e entenda as pétalas que vivem em meu coração. (Desculpem o trocadilho, eu amo essas coisas despretensiosas).
Não é uma forma de homenagear ninguém, é só algo mais poético para representar uma parte da minha vida e da personalidade romântica que adotei diante desses 22 anos de busca pessoal e espiritual, com intenção de deixar a vida mais interessante e também mais consciente, posso dizer também que este diário não é sobre música, mas às vezes terá também. O que quero com isso é colocar em pratica o que foi me falado por uma preta velha uma vez, ela me disse que esse era o meu dom e que deveria usar também para me reconhecer e conseguir lidar melhor comigo.
Acho que já é um bom início para quem está em uma segunda tediosa e sem muita coisa pra fazer no trabalho e decidiu inovar na vida sem fazer nada de novo, criando um blog.
Espero que essa troca minha comigo seja grandiosa e que todos consigam se deliciar com isso, e como diria Rupaul: You better work!

Tem lugares onde você não se encaixa, sabe? Por mais que você queira se encaixar, nem sempre é como um simples lego. Você tem tamanhos e for...